terça-feira, 19 de maio de 2026

Revista O.Q de Quadrinhos e Venenosa & Cia ampliam circulação na 14ª FLIARAXÁ 2026

 Nos dias 16 e 17 de maio de 2026, Jimmy Rus marcou presença na 14ª edição da FLIARAXÁ, ampliando a circulação dos quadrinhos independentes produzidos em Uberlândia dentro de um dos mais importantes eventos literários de Minas Gerais.


Além da participação como autor de HQs em mesa de autógrafos, Jimmy também integrou o espaço da livraria oficial do festival, levando ao público a Revista O.Q de Quadrinhos nº11 e o álbum Venenosa & Cia – A Festa, parceria entre Jimmy Rus e Biorider Jr., ambos publicados pelo O.Q Comic Studiun.

Gustavo Coelho e Jimmy Rus

A participação no evento reforça a expansão do projeto para além do circuito local, apresentando ao público de Araxá/MG as produções recentes desenvolvidas por Jimmy Rus e pelo selo independente.

Andrea Brandão

A passagem pela FLIARAXÁ também marcou o primeiro encontro público do artista com integrantes do grupo Black Book, coletivo literário do qual Jimmy vem participando nos últimos meses, fortalecendo conexões entre literatura periférica, quadrinhos independentes e produção cultural mineira.

Rafael Nolli

Durante o evento, Jimmy reencontrou o organizador e curador Rafael Nolli, com quem já compartilhou mesas de debate em edições anteriores do festival, além da escritora Andrea Brandão. Na livraria do evento, também dividiu espaço com o escritor Gustavo Coelho.

Black Book

Mesmo participando apenas de parte da programação, a presença de Jimmy Rus no dia 16 resultou na venda e circulação de 26 exemplares da recém-lançada Venenosa & Cia – A Festa, ampliando a presença da produção independente criada em Uberlândia dentro do cenário cultural mineiro. Além da circulação artística, a obra também apresentou ao público a proposta de conscientização presente no universo da personagem Venenosa, utilizando os quadrinhos como ferramenta de reflexão, diálogo e educação ambiental, unindo arte e ciência na construção de uma HQ independente voltada ao entretenimento e à informação.

 

 SERVIÇO

• Venenosa & Cia – A Festa
• Autores: Biorider Jr (roteiro) e Jimmy Rus (arte)
• 40 páginas, colorida
• Valor: R$ 10,00 (Uberlândia) | R$ 10,00 + frete (demais localidades)
• ISBN: 978-65-01-87144-8
• Ponto de venda: Livraria Plural ou pelo (34) 9 9895-1879

Contato para imprensa
• E-mail: oqstudiunbyjimmyrus@gmail.com
• Telefones: (34) 9 9895-1879 / (34) 9 9766-9366
• Instagram: @venenosaecia

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Segue o líder

 

O Uberlândia Esporte Clube é o assunto abordado na tira desta semana. O time, que tem como mascote o Periquito, recentemente fechou um patrocínio inesperado com o aplicativo Uber Technologies.

O patrocínio tem causado um efeito positivo — porém não surpreendente, pois, para muitos, e para nós principalmente, o grande problema do time sempre foi a ausência de um patrocinador vigoroso. Sem desmerecer os demais apoiadores, à primeira vista a Uber trouxe justamente o que o clube precisava.

O capital investido — cujo mérito e valores não detalharemos aqui — tem refletido nos resultados positivos até o momento, de modo que o time é, até agora, o único a ter garantido acesso à próxima etapa, mesmo ainda faltando jogos para o encerramento da primeira fase do Campeonato Brasileiro Série D.

Ao time de nossa querida Uberlândia, fica a homenagem da página Los Intelectuais com a tira Segue o Líder.

A tira foi publicada em 14 de maio de 2026 no jornal Diário de Uberlândia.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Jimmy Rus deixa a ALU

 Comunicado importante

Como é de conhecimento de quem acompanha meu trabalho, em setembro de 2025 tomei posse na Academia de Letras de Uberlândia (ALU), assumindo a cadeira 27 — Patrono Ziraldo — e a vice-presidência da instituição, fundada oficialmente entre junho e julho de 2025.

Em 24 de abril de 2026, após divergências relacionadas a direcionamentos e tomadas de decisões internas coletivas, deixei a vice-presidência da Academia.

Agora, em 12 de maio de 2026, encerro também meu ciclo como membro da instituição.

Sigo por outros caminhos, que já vinham sendo trilhados antes mesmo dessa experiência e até mesmo da existência da Academia. São projetos pessoais e coletivos que hoje demandam meu tempo e que estão alinhados com minha postura e forma de atuar.

Deixo meu respeito à instituição, que ajudei a fundar, e o desejo de que siga cumprindo seu papel no cenário cultural local.

Jimmy Rus

domingo, 10 de maio de 2026

Feliz dia das mães com Venenosa&cia

Feliz dia das mães com Venenosa&cia

Por Biorider


Olá Herpetolovers!
Neste Dia das Mães, a @venenosaecia presta uma homenagem especial a elas, que são a base de nossa vida e sociedade. E, para isso, gostaríamos de ensinar um pouco mais sobre como é a maternidade no mundo das serpentes.
As serpentes, em geral, não têm nenhum cuidado parental - a relação apresentada aqui entre as personagens Dercy e a Dri faz parte da liberdade criativa da tira de humor. 
Algumas serpentes botam ovos, outras parem seus filhotes. No caso da caiçaca (Bothrops moojeni) e de todas as outras Viperidae do Brasil - com a única exceção da pico-de-jaca (gênero Lachesis), que bota ovos - os filhotes já nascem totalmente independentes. Eles já vêm ao mundo em condições de sobreviver sozinhos, inclusive de se defenderem usando a peçonha, podendo provocar acidentes.
Mesmo quando representa perigo, a serpente tem seu papel ecológico ao controlar populações de roedores. Ela também é muito útil em estudos que visam à produção de medicamentos que trazem esperança de tratamento para diversas doenças, inclusive alguns tipos de câncer.
Precisamos delas vivas e saudáveis para isso!
Que o respeito à vida e à natureza nos inspire neste Dia das Mães. Um grande abraço de toda a equipe @venenosaecia e um feliz dia das mães.

Observação:
Reparou que a pontinha da cauda do filhote tem uma cor diferente do resto do corpo? Você sabe qual estratégia de caça está escondida nesse detalhe?
Créditos:
Personagem criado por @jimmyrus13.
Roteiro e arte da tira de humor: @alice_le_fay.


A @venenosaecia é um projeto conjunto da @herpetocerrado e da @o.qstudiun e faz parte do O.Q Comic Universe. Esclarecemos que esta obra não tem relação com a personagem homônima da Record TV do Brasil!




 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Menina no Trilho – Parte II.

 


Esta semana Call Boy voltou às páginas do Diário de Uberlândia com a tira de humor Menina no Trilho – Parte II.

Embora apresente começo, meio e fim, a tira integra uma sequência em que Call Boy e o Xerife seguem pelo Oeste no encalço de um prefeito que aumentou o próprio salário em 300%, reforçando o tom satírico da narrativa.

No humor clássico, a figura da personagem amarrada aos trilhos sempre foi tratada como caricatura e aqui Jimmy não foge a regra. Porém, na vida real, mulheres seguem sendo vítimas de preconceito, machismo e violência — uma realidade dura que diariamente se transforma em feminicídios, interrompendo sonhos, trajetórias e vidas.

Entre riso e reflexão, a tira deixa um recado simples e direto: deixem as minas em paz.

Call Boy integra o O.Q Comic Studiun, núcleo criativo que reúne personagens e histórias do universo autoral de Jimmy.


segunda-feira, 4 de maio de 2026

Convite Especial – Jimmy Rus na FliAraxá 2026

 


É com grande satisfação que o cartunista e editor Jimmy Rus retorna à 14ª FliAraxá, um dos mais importantes encontros literários de Minas Gerais.

Jimmy, que já participou de uma mesa-redonda em outra ocasião, volta a Araxá/MG, onde participará de sessão de autógrafos e realizará o lançamento de Venenosa & Cia – A Festa, obra com arte e projeto gráfico de sua autoria e roteiro de Biorider Jr.

Data: 16 de maio (sábado)
Horário: 13h
Local: Centro Cultural UniAraxá
Evento: de 14 a 17 de maio de 2026

• Venenosa & Cia – A Festa – coautoria com Biorider Jr.
• Revista O.Q de Quadrinhos nº 11 – editor, produtor e artista

Conheça o artista e suas obras, que por meio das HQs reforçam a relevância dos quadrinhos autorais e aproximam o público de histórias que divertem, inspiram e despertam reflexão.


Venha conhecer as falsas-corais Venenosa e Boicorá, protagonistas dessa divertida HQ, e faça parte dessa festa!

Participe, conheça o artista e valorize a leitura em todas as suas formas!

sexta-feira, 1 de maio de 2026

A Grande Onda


 A Grande Onda

“A Grande Onda de Kanagawa”, criada pelo artista japonês Katsushika Hokusai por volta de 1830–1833, é uma xilogravura icônica do estilo ukiyo-e. Partindo dela, criamos nesta semana uma tira que tem como tema ondas. Não a que vem do mar — belas, imensas, quase poéticas —, mas as atuais, da vida real: ondas de boletos, impostos, jornadas exaustivas de trabalho e a sensação constante de correr sem sair do lugar.

A grande onda desta semana coincide com um período de apreensão para muitos brasileiros, em um momento em que a redução da carga horária semanal do trabalhador é debatida no Congresso, com o possível fim da escala 6x1. Paralelamente, o trabalhador comum é pressionado pela proximidade do prazo final para declarar o Imposto de Renda, enquanto cobranças como IPTU e IPVA chegam em forma de novos boletos.

Que onda — e nela, milhões tentam apenas permanecer de pé.

A tira foi publicada em 30/04/2026 no jornal Diário de Uberlândia.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Revista Venenosa & cia - A Festa

 


Venenosa, Boicorá e Coral verdadeira

Inspirada em espécies reais de serpentes do Cerrado brasileiro, a revista em quadrinhos Venenosa & Cia – A Festa apresenta ao público uma aventura divertida e inusitada protagonizada por duas falsas-corais: Venenosa e Boicorá.

Venenosa é inspirada na espécie Erythrolamprus aesculapii, conhecida por seus anéis perfeitos e por frequentemente ser confundida com a coral-verdadeira (Micrurus). Na HQ, sua personalidade intensa e seu comportamento imprevisível — inspirado no hábito natural da ofiofagia, alimentação baseada em outras serpentes — fazem dela uma personagem marcante, capaz de transformar qualquer situação em caos. Ao seu lado está Boicorá, inspirada na espécie Oxyrhopus trigeminus, falsa-coral popularmente conhecida como boicorá, cuja coloração em padrão zigue-zague e ventre claro ajudam a compor uma personagem singular e cheia de identidade.

Na história, as duas se encontram em meio à floresta enquanto um grande acontecimento movimenta o universo das serpentes: a tradicional festa anual promovida pela lendária cobra coral-verdadeira. Mas há um problema — à medida que a data se aproxima, Venenosa ainda não recebeu convite. Entre ansiedade, confusões, fofocas e encontros inesperados, a HQ conduz o leitor por uma narrativa bem-humorada que mistura aventura, curiosidades sobre o mundo animal e reflexões sobre pertencimento, identidade e convivência.

Capa revista

O roteiro da revista é assinado por Biorider Jr, que transforma conhecimentos da biologia em elementos narrativos acessíveis e envolventes, enquanto a arte e o projeto gráfico são assinados por Jimmy Rus, responsável por dar forma visual, expressão e humor ao universo de Venenosa & Cia.

A obra, que integra o O.Q Comic Universe, alcançou tiragem de 2 mil exemplares graças ao apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, através do Edital 07/2024 – Chamamento Público: Fomento à Execução de Ações Literárias / PNAB Estadual – Ciclo 01, iniciativa pública de incentivo à cultura que viabilizou a produção gráfica da revista e permitiu ampliar seu acesso ao público, fortalecendo a circulação da literatura em quadrinhos produzida de forma independente.

 

SERVIÇO
• Venenosa & Cia – A Festa
• Autores: Biorider Jr (roteiro) e Jimmy Rus (arte)
• 40 páginas, colorida
• Valor: R$ 10,00 (Uberlândia) | R$ 10,00 + frete (demais localidades)
• ISBN: 978-65-01-87144-8
• Ponto de venda: Livraria Plural ou pelo (34) 9 9895-1879

Contato para imprensa
• E-mail: oqstudiunbyjimmyrus@gmail.com
• Telefones: (34) 9 9895-1879 / (34) 9 9766-9366
• Instagram: @venenosaecia

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Balanço do lançamento da revista Venenosa & Cia – A Festa

Capa revista Venenosa&Cia - A festa

Enquanto muitos entendem lançamento como um evento isolado, o O.Q Studiun opera em outra lógica: a dos desdobramentos.

Foi isso que se viu com Venenosa & Cia – A Festa, lançada em 28 de março de 2026.

Antes mesmo da revista chegar ao público, no dia 24, Jimmy Rus (artista e projeto gráfico) e Biorider (roteirista) participaram do podcast Vozes do Cerrado, conduzido pela jornalista Bia Montes. Mais do que divulgar a obra, a dupla apresentou o processo: o surgimento da parceria, o reencontro, a construção dos personagens e o universo criado a partir da falsa-coral e sua coadjuvante.

   
Bia Montes, Biorider e Jimmy Rus

A dupla destacou que a personagem principal surgiu de um bate-papo informal entre roteirista e artista. Desta conversa Jimmy desenvolveu a primeira tira – publicada na revista como forma de registrar o processor- a qual após ajustes deu origem ao visual do que hoje e a personagem Venenosa.

Indo além da narrativa e do entretenimento, a obra propõe um olhar, e o educativo vem como consequência —   desmistificando conceitos sobre cobras e serpentes e promovendo a preservação dessas espécies.
Jimmy Rus e Biorider

No dia 28, o lançamento há muito esperando deixa de ser anúncio e se transforma em realidade.

Pela manhã, na E.E. Parque São Jorge, 63 professores de diferentes áreas participaram de uma atividade de formação conduzida por Biorider. A proposta foi direta: ampliar o uso da revista como ferramenta pedagógica, onde o lúdico e a arte funcionam como ponte para o conhecimento científico em diferentes faixas etárias.

 À tarde, o movimento se desloca.

Na Livraria Plural, acontece o lançamento oficial. Ali, obra e equipe ganham rosto e contexto: artista, roteirista e os profissionais que sustentam o projeto — revisão, diagramação e produção executiva são apresentados. O que antes era processo se materializa, e já aponta continuidade, com a previsão de um novo lançamento no segundo semestre de 2026.

Na foto: Jimmy, Alice, Biorider e Gabriela

Mas não encerra.

Nas duas semanas seguintes, a E.E. Parque São Jorge volta ao centro. Ao todo, 211 alunos participaram das oficinas, tendo contato direto com o roteirista e com a obra. Foi proposto a cada estudante atuar não como espectadores passivos, mas como parte do processo, como agentes de transformação — experimentando, questionando e percebendo que cada página carrega intenção e aprendizado.

E os desdobramentos continuam — inclusive para além do projeto.

No dia 18 de abril, em comemoração ao Dia do Livro Infantil, Jimmy Rus participou da Tarde Cultural na Praça, realizada pela Associação de Moradores do bairro Jardim das Acácias, em Uberlândia/MG. O evento, que marcou a inauguração de uma geladeira literária, contou com oficinas e atividades culturais. Na ocasião, Jimmy conduziu uma oficina de HQs, onde crianças e adolescentes presentes no local, puderam experimentar a criação artística, conduzida pelo artista.

Nos próximos dias, exemplares da revista passam a integrar o acervo da Biblioteca de Uberlândia/MG e da cidade de Centralina/GO, expandindo sua circulação para além do município.

Em três semanas, entre formação, oficinas, distribuição gratuita e vendas, cerca de 450 exemplares estão em circulação, de um total de 2 mil unidades.

E o movimento segue.

Em maio, Jimmy Rus estará em Araxá, como desenhista e co-autor  fazendo o lançamento de Venenosa&cia- A Festa na cidade, levando a revista para um novo público dentro de um evento literário, ampliando ainda mais seu alcance e impacto.

Venenosa & Cia – A Festa 

Equipe:

Roteiro: Biorider

Arte: Jimmy Rus

Projeto gráfico: Jimmy Rus e Gabriela Ferreira

Revisão ortográfica: Karine Freitas de Paula

Produção executiva: Aline Dias e Jimmy Rus 

 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Povos Indígenas

 

Povos Indígenas

A tira dessa semana — publicada aqui e no Diário de Uberlândia — não traz humor.
Traz resgate. Traz memória.

Intitulada Povos Indígenas,  ela nasce da mesma inquietação que me levou a produzir Marco Temporal — premiada pelo edital da Artigo 19 Brasil — e Onde estão os Yanomamis.

Ela carrega também a assinatura do O.Q Comic Universe.

Uma inquietação que também passa pela linguagem.

O termo “índio”, na sua forma singular, não dá conta da pluralidade dos povos originários.

Índio nunca deu conta.
Nunca foi nome — foi rótulo.

Ao longo da história, essa simplificação serviu muito mais para organizar o olhar de quem coloniza do que para respeitar quem sempre esteve aqui.

O que existe são povos.
Muitos. Diferentes. Diversos. Vivos.

Por isso, o centro da imagem não é apenas um rosto — é um território atravessado por identidades: Tupi, Guarani, Tikuna, Yanomami, Xavante, Pataxó…

Não são variações de uma mesma coisa.
São mundos.

Pindorama — nome originário deste território — aparece repetido como gesto de memória e resistência. Para lembrar que este lugar já era nomeado, habitado e múltiplo antes de ser reduzido.

A tira veio para provocar.

Porque trocar uma palavra pode parecer pouco — mas muda o modo como se vê.

E o modo como se vê muda o modo como se trata.

Não é sobre correção política.
É sobre precisão histórica.

E, principalmente, sobre respeito.

domingo, 19 de abril de 2026

Índio não, povos indígenas

 

Charge: Onde estão os Yanomamis

O dia 19 de abril marca, no Brasil, o Dia dos Povos Indígenas. A data foi instituída em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, inspirada no Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México em 1940 — encontro que discutiu os direitos dos povos originários nas Américas.

Por muito tempo, ficou conhecida como “Dia do Índio”.

Mas esse nome nunca deu conta da realidade.

Em 2022, a data passa a ser reconhecida oficialmente como Dia dos Povos Indígenas. Não é só semântica. É reconhecimento: são muitos povos, muitas línguas, muitas formas de existir — todas ainda aqui, apesar de séculos de apagamento.

Os povos originários atravessam minha obra há algum tempo. Com os anos, deixaram de ser um interesse pontual e passaram a ocupar espaço contínuo na minha produção.

Um dos primeiros movimentos aparece em Render-se, HQ iniciada ainda na faculdade. Após pesquisa e uma série de estudos — incluindo pintura corporal, seus significados e usos — a história, que havia sido engavetada, foi retomada, redesenhada e publicada em 2023 na revista O.Q de Quadrinhos nº 09.

Página 03- HQ Render-se

Depois veio Marco Temporal. Em forma de charge, ela tensiona o direito à terra e questiona a ideia de que a Constituição de 1988 define o início da demarcação. Por essa lógica, povos expulsos de seus territórios não teriam garantido o direito de retorno.

A obra foi premiada em 2026 no edital da Artigo 19 Brasil, com foco na Amazônia e nos povos indígenas. Com 29 premiados, apenas dois são de Minas Gerais, sendo Jimmy um deles.

Em Onde estão os Yanomamis?, a pergunta é direta. E incômoda. Não trata de ausência, mas de invisibilização — de um país que, muitas vezes, escolhe não ver.

Esse percurso se expande para a literatura. No conto Aquele que veio pelas águas (2025), publicado pela Valleti Book na antologia Entre o Céu e a Terra, revisito o roteiro de Render-se. A narrativa se passa em um Brasil pré-Cabral, onde conflitos entre comunidades indígenas se cruzam com o surgimento de um herói — e, mais uma vez, o território se impõe como questão central.

Refletindo sobre a minha produção, chego à conclusão de que talvez minha obra não seja sobre respostas. Talvez seja sobre tensionar o silêncio.

No fim, não é sobre uma data.

É sobre quem nunca deixou de estar aqui.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Astronauta – De longe | Tira da semana

  Astronauta – De longe | Tira da semana


De longe, tudo parece organizado. Ou pelo menos… parece.

O Astronauta segue sua jornada em mais uma semana, sendo publicado em forma de tira de humor. Como personagem ele não é exatamente novo: Já esteve por aqui  — em uma história improvável com Nina e Bob, o peixe, os quais após um encontro com seres do nosso folclore, terminou no espaço.
Sem nome, sem rosto e fora do planeta.
O personagem nos lembra que é preciso se posicionar com um olhar de fora para enxergar e compreender a realidade a nossa volta.
Publicado em 16/04/2026 no Diário de Uberlândia, essa é mais uma peça dentro do O.Q Comic Universe — um universo que, aos poucos, vai se organizando… ou pelo menos tentando.
E você?
Ainda acha que está tudo no lugar?




sexta-feira, 10 de abril de 2026

Artemis II – Tira da semana

 

Artemis II – Tira da semana

Essa semana, a tira de humor Los Intelectuais retorna com o personagem Astronauta.

Conectada com a realidade, a tira faz referência à missão Artemis II, parte dos preparativos para futuras explorações da Lua — e, possivelmente, de algo ainda mais distante.

Enquanto a exploração do espaço se projeta como solução — ou até como um novo lar para a humanidade —, o Astronauta observa que, aqui embaixo, seguimos testando diariamente nossa capacidade de autodestruição.

Publicada em 09/04/2026 no Diário de Uberlândia, a tira carrega ecos de tensões atuais que atravessam sua construção visual.

Nem todas estão explícitas.

E talvez esse seja o ponto.


segunda-feira, 6 de abril de 2026

Informe – Curso Itinerante O.Q de Quadrinhos 2026

 


Curso Itinerante O.Q de Quadrinhos 2026 está prestes a começar e chega com uma proposta de formação artística voltada para jovens talentos da comunidade, com ênfase no processo criativo e na produção de histórias em quadrinhos.

As atividades, realizadas em formato de oficina, serão ministradas por Jimmy Rus e equipe, com início nas próximas semanas na Escola Municipal Boa Vista, no bairro Tocantins (Uberlândia/MG).

O curso foi aprovado no edital da Política Nacional Aldir Blanc – Áreas Periféricas, e atenderá 20 alunos, promovendo trocas, aprendizado e desenvolvimento prático na linguagem dos quadrinhos.

Durante as aulas, os participantes terão contato direto com o processo de criação, passando por narrativa, desenvolvimento de personagens e cenários, além da elaboração de roteiros.

As aulas acontecerão nas manhãs de sábado, facilitando a participação de crianças e adolescentes interessados em desenvolver habilidades em desenho e narrativa visual.

Em breve, mais informações sobre inscrições e início das atividades serão divulgadas.

domingo, 5 de abril de 2026

Jimmy Rus presente na Antologia Subsolo 2026- Lançamento

 

Antologia Subsolo 2026 - Lançamento 


Jimmy Rus presente na Antologia Subsolo 2026 – Lançamento

A cena literária independente brasileira celebra um momento especial com o lançamento da Antologia Subsolo 2026 – 8ª edição anual, publicação da Editora Subsolo que, pela primeira vez, chega ao público em formato físico.

Após sete edições digitais lançadas entre 2019 e 2025, a coletânea ganha corpo no papel, consolidando-se como um importante registro da produção contemporânea de literatura.

Criada em Uberlândia/MG pelos editores Robisson Sete e Thiago Carvalho, a Antologia Subsolo nasce com a proposta de reunir, de forma acessível e democrática, poesias, prosas, quadrinhos e artes visuais de artistas de diferentes regiões do país, fortalecendo a produção independente.

Entre os nomes selecionados nesta edição está Jimmy Rus (Evânio B. Costa), que integra a publicação com o texto Tapera. A crônica dialoga com memória, tempo e abandono, ao abordar a situação de construções antigas e o trágico fim de algumas.

Mais do que um livro, o lançamento simboliza a força coletiva de artistas que constroem, de forma autônoma, novos caminhos para a literatura brasileira.

Você é nosso convidado para o lançamento.
Venha prestigiar, conhecer a obra de perto e celebrar a potência da produção independente.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Baratas ou Boletos?

 

Baratas ou Boletos?
Por Jimmy Rus

A tira de humor Baratas ou Boletos produzida e publicada nesta semana parte de uma situação bastante familiar ao brasileiro: a convivência constante com os boletos.

Inserida no universo de Los Intelectuais, a tira traz os personagens Nina e Los em mais um recorte do cotidiano, explorando com humor uma realidade que, para muitos, oscila entre o absurdo e o inevitável. Quem já passou por essa situação sabe o quanto pode ser desolador lidar com a chegada constante de cobranças, que começam com as básicas, como água, internet e energia, e extrapolam para faturas de cartões, empréstimos e financiamentos, entre outros gastos.

Sem fugir do foco, a tira dialoga com um cenário mais amplo, envolvendo tensões geopolíticas e disputas econômicas, as quais parecem distantes, mas que indiretamente afetam o cidadão comum, como a crescente competição no sistema financeiro — caso do PIX frente a empresas como Mastercard e Visa — e as recentes tensões no Oriente Médio, com impactos no fluxo de petróleo após o bloqueio de rotas estratégicas relacionado ao contexto do Irã e ao aumento da tensão internacional provocado por Donald Trump, evidenciando como o macro se infiltra no cotidiano de forma cada vez mais direta.

Entre conflitos globais e pressões individuais, o cotidiano segue sendo atravessado por diferentes formas de tensão — e a pergunta que fica é: além das baratas, quem mais sobreviveria?

A proposta da tira é justamente transformar essa pressão — próxima ou distante — em riso ou reflexão, ainda que um riso meio amargo.

Publicada no Diário de Uberlândia em 02 de abril de 2026.


terça-feira, 31 de março de 2026

Venenosa & Cia – A Festa é uma obra conjunta do artista Jimmy Rus e do biólogo e roteirista Rubens J.S. Júnior (Biorider Jr.).

 


Lançada em 28 de março de 2026, na Livraria Plural, em Uberlândia/MG, a revista marca um momento importante na trajetória de Jimmy Rus, ampliando sua atuação como desenhista e autor no campo das histórias em quadrinhos.

Amigos de longa data, o projeto começou a ganhar forma entre 2021 e 2022, quando, em meio ao isolamento da pandemia, os dois retomaram o contato. A partir de conversas sobre as relações entre arte e ciência, passaram a desenvolver conjuntamente a série.


Jimmy Rus e Biorider      

Publicada no Instagram, em formato de tiras digitais e sem periodicidade definida, a série foi se estruturando aos poucos e ganhando seguidores de diferentes idades, que apoiaram e incentivaram a continuidade do trabalho.

Com o objetivo de levar a série para o formato impresso, os autores tiveram o projeto aprovado pela PNAB, viabilizando sua publicação em revista.

Na parceria, Biorider Jr. assina os roteiros, enquanto Jimmy Rus conduz a construção visual da narrativa. Seu desenho não apenas ilustra, mas estrutura o ritmo das tiras, define a expressividade dos personagens e sustenta o equilíbrio entre humor, ciência e cotidiano.


O traço de Jimmy se caracteriza pela busca por síntese gráfica e comunicação direta — também presente em sua tira autoral Los Intelectuais —, aproximando a obra do leitor ao mesmo tempo em que revela uma identidade autoral em consolidação.

A edição impressa de Venenosa & Cia – A Festa preserva o percurso criativo do artista, apresentando variações visuais dos personagens incorporadas como parte da linguagem da obra. Ao longo da leitura, Venenosa e Boicorá — duas falsas corais — se transformam conforme o desenvolvimento da narrativa e das referências biológicas que a sustentam.


Essa instabilidade visual dialoga com o próprio modo de produção da série, construída de forma fragmentada ao longo de cerca de dois anos. Nesse intervalo, o roteiro também se abriu à incorporação de elementos do cotidiano, incluindo acontecimentos repercutidos pela mídia, criando uma narrativa permeável ao tempo em que foi produzida.

Os personagens de Venenosa & Cia estão incorporados ao O.Q Comic Universe, termo criado por Jimmy Rus para representar a articulação entre suas criações autorais e projetos colaborativos, estabelecendo uma linha contínua entre diferentes frentes de sua produção em HQs.


Serviço: Revista Venenosa & Cia – A Festa

40 páginas, coloridas

Autores: Biorider Jr. e Jimmy Rus

ISBN: 978-65-01-87144-8

Valor: R$ 10,00 (Uberlândia/MG e Araguari/MG)

R$ 15,00 (demais localidades)

segunda-feira, 23 de março de 2026

Onde a Ciência e a Arte se Encontram no Cerrado

 


Onde a Ciência e a Arte se Encontram no Cerrado

Na próxima terça-feira, dia 24 de março, às 19h30, o Vozes do Cerrado recebe o biólogo @biorider e o cartunista @jimmyrus13 para um bate-papo imperdível. Vamos mergulhar no universo das serpentes e descobrir como esses animais fascinantes saíram do universo científico para ganhar vida e humor nas páginas da HQ Venenosa & Cia – A Festa.

Entenda como o rigor científico se aliou ao traço artístico para desmistificar a fauna peçonhenta e transformar o conhecimento biológico em uma narrativa visual única e acessível. Uma oportunidade exclusiva para conhecer os bastidores desse projeto independente que celebra a biodiversidade brasileira através dos quadrinhos.

Acompanhe nossa live e prepare suas perguntas sobre o fascinante mundo das serpentes e o processo de criação desta obra que une educação ambiental e entretenimento de alta qualidade.

Data: Terça-feira, 24 de março
Horário: 19h30
Onde: Vozes do Cerrado

#serpentes #hqsbrasileiras #divulgacaocientifica #cerrado #quadrinhosindependentes

sábado, 21 de março de 2026

HQ brasileira une ciência e humor e marca expansão de universo autoral independente


O biólogo Biorider e o cartunista Jimmy Rus anunciam o lançamento da revista Venenosa & Cia – A Festa, publicação que marca a transição do projeto do ambiente digital para o formato físico.

Criada a partir da parceria entre ciência e humor, a obra reúne tiras originalmente publicadas online e agora consolidadas em um álbum de 40 páginas, ampliando o alcance e a experiência narrativa da série.

Com roteiro de Biorider e desenvolvimento visual e direção estética de Jimmy Rus — responsável pela criação dos personagens e identidade gráfica da obra — a revista se insere no O.Q Comic Universe, universo autoral do artista, onde diferentes personagens e séries exploram, com humor e olhar crítico, as contradições do comportamento contemporâneo.

Ao unir narrativa, ciência e sátira, Venenosa & Cia – A Festa reafirma a proposta de Jimmy Rus de construir uma produção consistente, autoral e conectada com temas atuais, ampliando sua presença no cenário nacional de HQs.

A publicação integra o portfólio do selo O.Q Studio, criado em 2009 por Jimmy Rus e responsável também pela edição da Revista O.Q de Quadrinhos.

Diferente de outras publicações do artista, a obra tem como protagonistas duas falsas corais — Venenosa e Boicorá — que, de forma bem-humorada, apresentam informações sobre esses e outros animais.

A iniciativa conta com apoio de projeto aprovado em edital estadual (Minas Gerais), por Biorider, via Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB – Ciclo 1) e amplia o alcance da obra criada em coautoria.

A chegada da obra ao formato físico marca o avanço de uma produção autoral que amplia seu espaço no cenário nacional de histórias em quadrinhos.

Serviço:
Lançamento da revista Venenosa & Cia – A Festa, 40 páginas, colorida.

Autores: Biorider Jr (Rubens J. S. Junior) e Jimmy Rus (Evânio B. Costa)

ISBN: 978-65-01-87144-8

Data: 28/03/2026 (sábado)

Horário: 14h às 16h

Local: Livraria Plural — Uberlândia/MG (Avenida Afrânio Rodrigues da Cunha, 121).

Pré-venda: R$10,00



 

quinta-feira, 19 de março de 2026

Astronauta

 


Astronauta
Por Jimmy Rus

A tira de humor Astronauta revisita um dos eixos centrais da produção de Jimmy Rus: a observação do comportamento humano a partir do distanciamento — físico e simbólico.

Inserido no universo de Los Intelectuais, onde já havia sido apresentado em situações que tensionam o absurdo e o cotidiano, o personagem reaparece, agora solitário, em nova tira publicada no Diário de Uberlândia (19/03/2026), oferecendo um olhar externo sobre o planeta Terra.

A Terra, vista à distância, preserva uma imagem idealizada de beleza e mistério. No entanto, ao aproximar o olhar, a narrativa revela outra face — um espaço atravessado por tensões e violência, onde a ganância e a disputa por poder colocam em risco não apenas o equilíbrio social e geopolítico, mas a própria continuidade da vida.

Sem recorrer a soluções simplistas, a tira insinua um impasse contemporâneo: a humanidade, capaz de feitos extraordinários, parece igualmente inclinada à autossabotagem. Nesse contexto, a ideia de paz deixa de operar como valor abstrato ou discurso utópico, assumindo um papel mais urgente — o de condição necessária para a sobrevivência do planeta e da espécie.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Venenosa&cia - serie O Desafio- Continuação

 

A Felícia ficou indignada ao ouvir que a sucuri não seria a maior serpente do mundo… E foi logo fazer o que qualquer um faria: pesquisar na internet!

E não é que ela encontrou o “registro” de uma parente com quase 15 metros, com vídeo e tudo?

Mas calma, amigo leitor: isso não passa de história de pescador — ou, em bom português, uma verdadeira fake news do campo.

Relatos que até podem partir de algo real, mas vêm cheios de comparações equivocadas, proporções irreais e uma boa dose de exagero… no fim, nada disso se sustenta cientificamente.

Na realidade, os maiores registros confiáveis de sucuris estão bem longe disso.

E a Felícia?


Já foi até dar entrevista… essa história ainda vai render!

Roteiro: @biorider. Arte: @jimmyrus13

Esclarecemos que esta obra não tem relação com a personagem homônima da Record TV do Brasil!

A @venenosaecia é um projeto conjunto da @herpetocerrado e da @o.qstudiun e faz parte do O.Q Comic Universe.


#cerrado #cobra #hq #quadrinhos #serpente

sábado, 14 de março de 2026

Revista O.Q de Quadrinhos amplia equipe e reforça diretoria executiva


A Revista O.Q de Quadrinhos anuncia a chegada da artista Gabriela Ferreira à sua equipe editorial. A artista passa a integrar a diretoria executiva, dividindo a função com o cartunista e editor Jimmy Rus, que atua como produtor executivo do projeto.

A ampliação da equipe marca um novo momento para a revista, que há mais de uma década atua incentivando a produção autoral, abrindo espaço para artistas iniciantes e veteranos ligados ao universo das histórias em quadrinhos.

Nascida em Teresópolis (RJ), Gabriela passou a infância e parte da adolescência em Niterói (RJ). Em 2006 mudou-se para Uberlândia (MG), cidade onde consolidou sua formação artística e iniciou sua trajetória no campo das artes visuais e dos quadrinhos.

Formada em Artes Visuais pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) em 2015, Gabriela atua profissionalmente na produção de histórias em quadrinhos desde 2022. Atualmente publica a HQ “Terapia de Fantasma” nas plataformas Funktoon e Tapas (webcomics platform), além de produzir tirinhas autobiográficas divulgadas nas redes sociais.

Após publicar trabalhos nas páginas da Revista O.Q de Quadrinhos, a artista foi convidada a compor a equipe de diagramação do O.Q Studiun, desenvolvendo atividades editoriais junto a outros projetos conduzidos por Jimmy Rus. A partir dessa colaboração, Gabriela passou a integrar de forma mais direta o processo de produção e organização das publicações.

Entre suas contribuições recentes está a colaboração, ao lado de Jimmy Rus, no processo que levou a Revista O.Q de Quadrinhos nº11 à plataforma Kindle da Amazon.

Com sua entrada na diretoria executiva, Gabriela passa a colaborar diretamente na condução editorial e no desenvolvimento das próximas edições da revista, contribuindo com sua experiência artística e sua visão criativa para os rumos da Revista O.Q de Quadrinhos.



 

quinta-feira, 12 de março de 2026

Menina no Trilho

 

Menina no Trilho

Na tira de humor Menina no Trilho, Jimmy Rus volta nesta semana ao personagem Call Boy, que, ao lado do Xerife, segue em uma incursão pelo Oeste.

Em determinado momento da tira, um detalhe chama a atenção do leitor: uma placa onde se lê “Estrada desativada – Prazo de entrega: 15 anos”. A frase funciona como uma crítica direta às obras públicas que permanecem paradas por longos períodos e que, muitas vezes, só voltam a ser lembradas em anos eleitorais.

A tira foi publicada no jornal Diário de Uberlândia em um momento em que educadores do estado de Minas Gerais se encontram em greve, reivindicando melhores condições de trabalho e a recomposição de perdas salariais. Nesse contexto, o humor da tira ganha uma camada adicional de leitura ao dialogar com o cenário político e social.

Para quem acompanha a série iniciada com Call Boy, vale lembrar que o personagem e o Xerife estão no encalço de um prefeito que teria aumentado o próprio salário em 300%, elemento que reforça o tom satírico da narrativa. A situação pode ser lida como um eco das discussões recentes sobre remuneração no serviço público em Minas Gerais, especialmente diante do contraste entre reajustes concedidos a cargos políticos e as reivindicações apresentadas por áreas como educação e segurança pública.

A série protagonizada pelos personagens Call Boy e o Xerife funciona, assim, como uma sátira do cotidiano — e qualquer semelhança com a realidade, em alguns pontos da história, dificilmente será mera coincidência.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Trump Test

 

Trump Test - Tira de humor

Na tira de humor Trump Test, o cartunista Jimmy Rus constrói uma leitura geopolítica, fazendo uma crítica política por meio da sátira ao retratar um líder mundial que, diante de crises globais, age de forma aparentemente calculada, mas marcada por incoerências que expõem os riscos de decisões tomadas sob lógica estratégica excessivamente fria.

A metáfora sugere a condução de políticas externas como testes sucessivos, cujas consequências extrapolam previsões técnicas e impactam diretamente a estabilidade internacional.

A cena dialoga com a escalada de violência promovida por ações atribuídas a Donald Trump no início de 2026 com a captura de Nicolas Maduro, ameaças de anexação da Groenlândia, e mais recentemente, as operações militares que ocasionaram a morte do líder Ali Khamenei no Irã, causando instabilidade no Oriente Médio e sinalizando uma possível crise no abastecimento de petróleo para o mundo. Diante disso tudo fica a pergunta: Até que ponto essas ações estão realmente sob controle, não causando instabilidade ou mesmo uma tão temida terceira Guerra Mundial?

Como o próprio título indica, Trump Test propõe uma reflexão simbólica sobre decisões políticas que muitos analistas consideram arriscadas e potencialmente desestabilizadoras. A tira de humor amplia o debate e convida o leitor a estabelecer conexões entre humor, poder e responsabilidade global, deixando-nos uma pergunta: Diante de líderes que conduzem a política global como um experimento estratégico, sem considerar plenamente suas consequências, que futuro nos espera?

O trabalho foi publicado em 05/03/2026 no Diário de Uberlândia, e está disponível na versão e-book e impressa do jornal.

https://diariodeuberlandia.com.br/arquivos/assinaturas/2742/69a8bc7017218.pdf


terça-feira, 3 de março de 2026

Cartunista do Triângulo Mineiro é selecionado em edital nacional da ARTIGO 19 Brasil sobre a Amazônia

O cartunista e quadrinista Jimmy Rus (Evânio B. Costa), de Uberlândia (MG), é um dos 19 artistas selecionados no edital nacional “Arte, Amazônia e seus Povos – A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!”, promovido pela ARTIGO 19 Brasil, organização internacional de direitos humanos reconhecida por sua atuação em defesa da liberdade de expressão e da democracia. 

A chamada reuniu artistas de diferentes regiões do país com obras voltadas a temas como sustentabilidade, povos originários, biodiversidade e crise climática, em diálogo direto com os debates que ganharam centralidade no Brasil com a realização da COP 30 em 2025. 

Ao todo, 19 artistas foram selecionados nas linguagens de ilustração, charge, cartum e fotografia. Jimmy integra a seleção com a charge “Marco Temporal”, obra que propõe uma reflexão crítica sobre os conflitos envolvendo questões indígenas no Brasil contemporâneo e as disputas jurídicas e políticas em torno da tese do Marco Temporal. 

A pergunta lançada pela charge é direta: quem são, afinal, os verdadeiros “donos” das terras brasileiras? Ao abordar um dos temas mais sensíveis do debate contemporâneo, a obra reafirma o papel do humor gráfico como linguagem capaz de provocar reflexão pública em contextos de alta tensão política e social. 

Todas as obras selecionadas serão exibidas em exposição virtual e compartilhadas nas redes da ARTIGO 19 Brasil e parceiros sob licença Creative Commons, garantindo ampla circulação. 

Jimmy é o único artista do Triângulo Mineiro entre os selecionados. O resultado do edital foi divulgado em fevereiro de 2026.

 A seleção faz com que a arte produzida em Uberlândia dialogue diretamente com temas que mobilizam o país e a comunidade internacional. 

Para o artista, a premiação representa reconhecimento individual, amadurecimento artístico e valorização da produção autoral realizada fora dos grandes centros culturais: 

“É significativo ver o trabalho com o humor gráfico alcançar reconhecimento nacional. As histórias em quadrinhos têm potência para ampliar vozes e provocar reflexão sobre temas urgentes como a Amazônia e os direitos dos povos indígenas, e minha arte está a este serviço.” 

Atuando há mais de duas décadas como autor de histórias em quadrinhos e humor gráfico, Jimmy Rus desenvolve trabalhos marcados pela crítica social e política. 

A seleção em um edital nacional de direitos humanos insere sua produção no circuito brasileiro de debates contemporâneos sobre democracia, território e sustentabilidade. 

Mais informações:https://artigo19.org/2026/02/16/resultado-edital-arte-amazonia-e-seus-povos/

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Dengue - Tira de humor

 

Publicada hoje no Diário de Uberlândia, a tira Los Intelectuais retoma um tema que insiste em voltar ao cotidiano brasileiro: a dengue. Los e Nina entram novamente no combate ao mosquito.

 É a segunda vez que a dupla encara o assunto em 2026 — sinal de que certos inimigos são mais persistentes do que deveriam. Quem acompanha a tira sabe que o “Fúúú!” de Nina raramente é apenas heroico: há sempre mais travessura do que altruísmo.

No universo de Los Intelectuais, o perigo, assim como a dengue, pode vir tanto de fora quanto de dentro de casa. Fica a pergunta: o que seria de Los sem o dragão que o atormenta — e, ao mesmo tempo, o mantém vivo?


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O pequeno Trump

 


Exercer o ofício de cartunista é algo próximo ao papel de um xamã nas cavernas pré-históricas: alguém encarregado de interpretar os sinais invisíveis do mundo e devolvê-los à comunidade sob a forma de imagens.

É a partir dessa perspectiva que produzimos dentro da tira Los Intelectuais a série Estranhos Contos da Corte, onde a sátira funciona como instrumento de leitura política. Na tira “Venezuela Livre”, publicada em janeiro de 2026 em nossas redes, e que gerou certa repercussão, abordamos os interesses nada ocultos que orbitam a intervenção norte-americana na Venezuela. Indo além do que discursos oficiais noticiaram sobre defesa da democracia, combate ao narcotráfico ou segurança internacional, o que se impõe é a disputa por recursos — em especial o petróleo.

Agora em fevereiro, voltamos ao tema Trump — e esta não será a última vez -  ao produzir a tira O Pequeno Trump, onde optamos por recuar no tempo e observar a infância do personagem, como se ali já estivessem inscritos os gestos do adulto.

A tira, que foi publicada hoje no Diário de Uberlândia, não busca explicar o presente, mas sugerir que certas formas de poder nascem muito antes de chegarem ao palco da história.

O bebê antecipa o estadista. E, como toda caricatura, talvez diga menos sobre a infância de um homem e mais sobre a maturidade do mundo que o produziu, o elevou ao cargo que hoje ocupa e principalmente, o sustenta.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Respeita as Mina

 

Tira: Respeita as Mina

 A tira de hoje aborda um problema recorrente no Carnaval: o desrespeito às mulheres. Em um contexto de aumento dos casos de feminicídio e de violência de gênero, o tema não poderia passar em branco.

 Como cartunista, acredito na arte e a uso como ferramenta de reflexão e enfrentamento da violência. Por isso, publicamos hoje no Diário de Uberlândia esta tira com Mulher-Maravilha, Arlequina e nossa personagem Nina, reforçando um recado simples, porém necessário para foliões e não foliões: 

Não importa a fantasia. Não é não. Respeita as minas — no Carnaval e fora dele.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O Agente Secreto e as lições sobre Produção e Circulação

Por Jimmy Rus (Artista, produtor cultural e editor)*

O filme O Agente Secreto nos traz lições extremamente importantes — lições que muitas vezes são ignoradas ou pouco compreendidas nos setores artísticos, especialmente quando o assunto envolve fomento e produção de obras.

A produção de uma obra exige planejamento e a criação de condições concretas para que ela se torne possível. Nessa etapa, muitos produtores precisam responder à pergunta fundamental: como fazer?

As condições de trabalho — como tempo disponível, recursos financeiros e apoio institucional ou independente — impactam diretamente a produção de uma obra. Em muitos casos, o artista ou produtor recorre a leis de fomento para viabilizar essa etapa do processo.

Analisemos, por exemplo, a produção de um livro realizado por meio de leis de fomento. Uma obra literária passa por várias mãos, e não apenas pela do escritor. Dependendo do porte e da complexidade do projeto, sua produção pode envolver:

Produtor executivo

Revisor ortográfico

Ilustrador

Designer gráfico

Gráfica para impressão

Serviços contábeis

Gastos com materiais administrativos e de produção

Coquetel de lançamento

Meses de trabalho contínuo

Com a obra finalizada, surge um desafio comum a artistas de diferentes áreas: fazer a obra circular. A circulação de uma obra envolve diversos fatores, entre os quais podemos enumerar:

A existência ou não de espaços e canais de difusão (galerias, museus, ruas, editoras, mídias digitais e redes sociais)

A presença de agentes mediadores (curadores, editores, produtores culturais, críticos e imprensa)

Os diferentes formatos de apresentação e distribuição (exposições, publicações impressas, plataformas online e eventos)

O alcance do público e os modos de recepção e leitura da obra

A circulação trata, portanto, de onde, para quem e de que forma a obra chega ao público. No caso do filme O Agente Secreto, isso ficou evidente devido à grande repercussão que obteve. A partir de informações divulgadas pelo G1 e por outros canais de informação, observa-se que o projeto foi concebido considerando não apenas os custos de produção, mas também os gastos relacionados à circulação e à exibição do filme.

O orçamento total de produção foi estimado em cerca de R$ 27,1 milhões, e o filme contou com financiamento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), por meio da Ancine, com um aporte de R$ 7,5 milhões da parte brasileira, além de coproduções internacionais envolvendo Alemanha, França e Holanda.

A circulação e a comercialização do filme custaram cerca de R$ 4 milhões, dos quais o Fundo contribuiu com uma parte, enquanto aproximadamente R$ 3 milhões foram viabilizados por meio da Lei do Audiovisual, que permite a pessoas físicas e jurídicas destinarem parte do Imposto de Renda a obras audiovisuais selecionadas pela Ancine, por meio de patrocínio, recebendo em troca até 6% de isenção fiscal.

Ao analisar esses dados de O Agente Secreto, chegamos à conclusão de que o projeto — e não apenas o filme em si — foi concebido de forma completa, e não como uma etapa isolada, resultando em uma película a ser engavetada e esquecida.

A lição que fica para cada produtor cultural ou artista é clara: produzir é necessário, mas circular é essencial. As condições físicas e materiais para que a obra chegue ao público precisam ser pensadas e planejadas desde a fase inicial do projeto. Esse planejamento é responsabilidade do artista ou do produtor cultural e, mais do que uma questão de coerência, implica responsabilidade com o dinheiro público.


* Texto originalmente publicado como reflexão sobre produção e circulação cultural.