Exercer o ofício de cartunista é algo próximo ao papel de um xamã nas cavernas pré-históricas: alguém encarregado de interpretar os sinais invisíveis do mundo e devolvê-los à comunidade sob a forma de imagens.
É a partir dessa perspectiva que produzimos dentro da tira
Los Intelectuais a série Estranhos Contos da Corte, onde a sátira
funciona como instrumento de leitura política. Na tira “Venezuela Livre”,
publicada em janeiro de 2026 em nossas redes, e que gerou certa repercussão, abordamos
os interesses nada ocultos que orbitam a intervenção norte-americana na
Venezuela. Indo além do que discursos oficiais noticiaram sobre defesa da democracia,
combate ao narcotráfico ou segurança internacional, o que se impõe é a disputa
por recursos — em especial o petróleo.
Agora em fevereiro, voltamos ao tema Trump — e esta não será
a última vez - ao produzir a tira O
Pequeno Trump, onde optamos por recuar no tempo e observar a infância do
personagem, como se ali já estivessem inscritos os gestos do adulto.
A tira, que foi publicada hoje no Diário de Uberlândia, não
busca explicar o presente, mas sugerir que certas formas de poder nascem muito
antes de chegarem ao palco da história.
O bebê antecipa o estadista. E, como toda caricatura, talvez
diga menos sobre a infância de um homem e mais sobre a maturidade do mundo que
o produziu, o elevou ao cargo que hoje ocupa e principalmente, o sustenta.

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