Ralo In? Que nada! Aqui é Saci.
O Saci-Pererê é um personagem emblemático do folclore
brasileiro. Quem acompanha nossa produção, sabe que temos uma versão própria do
personagem, que integra o O.Q Comic Universe.
Como criador, cartunista e editor de revistas de HQ, percebi
ao longo do tempo que a riqueza e a diversidade da cultura brasileira ainda
recebem pouca atenção de parte dos criadores, enquanto a temática do Halloween
encontra espaço em diferentes produções.
Ciente dessa realidade, produzi a tira 'Ralo In!', de Los
Intelectuais, publicada no dia 29 de outubro no jornal Diário de Uberlândia. A
publicação apresenta uma provocação bem-humorada sobre nossas referências
culturais e a importância de reconhecer aquilo que faz parte da nossa
identidade.
O Halloween pode ser uma festa interessante, e respeito quem
gosta e participa das comemorações. Não se trata de estabelecer uma disputa
entre culturas ou de desvalorizar manifestações estrangeiras. A questão é
outra: por que não damos a mesma atenção às histórias, aos personagens e às
tradições que nasceram e se desenvolveram em nosso próprio território?
A cultura brasileira é riquíssima e ainda muito pouco
explorada. Nosso povo possui histórias de encantados e lendas, festas
populares, causos e personagens que, em diferentes regiões, são transmitidos de
geração em geração, principalmente pela tradição oral. São narrativas que
carregam conhecimentos, imaginários, experiências e diferentes maneiras de
compreender o mundo.
O Saci, a Caipora, o Curupira, o Boitatá, a Iara e tantos
outros personagens fazem parte desse universo. Cada região guarda suas próprias
histórias, versões e particularidades. Muitas dessas narrativas permanecem
vivas na memória das comunidades, mas ainda encontram pouco espaço nos meios de
comunicação, na produção artística e no mercado editorial.
É justamente nesse território que meu trabalho como
cartunista e quadrinista tem dialogado. As
tiras de Los Intelectuais e outros trabalhos desenvolvidos por mim vêm
explorando esse universo, utilizando o humor, o desenho e a linguagem dos
quadrinhos para dialogar com a cultura popular brasileira.
Mais do que representar personagens conhecidos, meu
interesse é investigar essas narrativas, reinterpretá-las e apresentá-las a
novos leitores, pois acredito que os quadrinhos possuem um grande potencial
para contribuir com a preservação e a circulação dessas histórias. Foi pensando
nisso, que aproveitando o dia do Saci, criamos a tira publicada nessa semana.
A tira que publico faz parte do Projeto Estórias de Saci, contemplado
com uma bolsa da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). O resultado tem previsão
para ser concluído em 06 meses.
Aguardem, enquanto degustam uma abobora... digo, tira. Afinal, valorizar
o nosso folclore não significa ficar preso ao passado. Pelo contrário:
significa reconhecer que essas histórias continuam estão presentes no imaginário
popular e oferecem possibilidades para a criação contemporânea. Elas podem
inspirar novas HQs, ilustrações, animações, livros, filmes e inúmeras outras
manifestações artísticas.
O Brasil não precisa deixar de conhecer outras culturas para
reconhecer a sua própria. Precisamos apenas dedicar mais atenção àquilo que
temos, conhecer melhor nossas tradições e incentivar artistas que trabalham com
esse patrimônio.
Neste 31 de outubro, fica o convite: conheça nossas lendas,
converse com os mais velhos, procure as histórias da sua região e valorize os
artistas que ajudam a manter essa memória em circulação.
Viva a cultura popular brasileira! Viva o Dia do Saci!




















